"Em um reino além do alcance de nossas vistas, o céu brilha dourado, não azul.
Lá, o poder da Triforce pode transformar o desejo de um mortal em realidade"
Seja bem-vindo, estamos entrando agora no encantado mundo de Hyrule, onde existe um poder conhecido como Triforce e que é cobiçado por muitos habitantes daquele local. Certa vez, quase que por acaso, a Triforce foi tocada por alguém de má índole, transformando Hyrule em outro mundo paralelo cheio de maldade e cobiça. E aqui estamos nós no universo de The Legend of Zelda: A Link to the Past para desbravar esta relíquia de jogo que é considerado por muitos como o melhor game de todos os tempos e consoles!
Este foi o terceiro jogo lançado da série The Legend of Zelda, porém, cronologicamente anterior aos dois primeiros: The Legend of Zelda e The Adventure of Link, também muito bem recebidos pelos fãs. O lendário Shigeru Miyamoto, que foi o criador do game (e da série), responsável também por outros sucessos como Donkey Kong e Mario, estava com o projeto de Zelda III para o NES, mas como haviam anunciado o lançamento do SNES no próximo ano (1990), Shigeru juntamente com a Nintendo decidiram focar na criação do próximo jogo para esse console, já que a série prometia.
Eles não pouparam esforços e foi assim que Zelda III se tornou na verdade The Legend of Zelda: A Link to the Past, o primeiro e único jogo da saga lançado para SNES, e acabou virando um marco na história dos games ao firmar de vez o console da Nintendo no mercado, vendendo mais de 4,5 milhões de cartuchos no mundo todo. Muitos outros títulos da saga Zelda foram lançados em outros consoles (e são lançados até hoje), todos formando uma cronologia profusa que nunca foi explicada explicitamente pelo próprio Miyamoto, para desespero (alegria?) dos fãs.
Prólogo - "Um Link para o Passado"
O nome deste jogo pode parecer estranho ou óbvio demais logo de cara (e que com certeza faz parte de um esquema brilhante que seu criador propôs), estranho porque a história do jogo todo não fala em nenhuma viagem no tempo; e óbvio demais porque se refere ao mesmo guerreiro Link dos dois jogos anteriores, só que estando em uma era passada de Hyrule.
Certa noite, o jovem guerreiro chamado Link (na verdade você pode escolher seu nome, mas vamos o chamar assim por agora) é despertado de seu sono por uma garota chamada Zelda, que faz um pedido telepático a ele: resgatá-la da prisão do castelo de Hyrule. Link acorda estonteado sem saber se era um sonho. Seu tio também adormecia pelo visto, agora acordado ele se equipa e sai de casa dizendo “volto pela manhã, não saia de casa”. Agora Link está em suas mãos!
Desobedecendo as ordens de seu tio, Link sai noite à fora no meio de uma tempestade para salvar a princesa Zelda. Entrando no castelo pelo calabouço, no meio de sua primeira missão, o jovem guerreiro encontra seu tio gravemente ferido e toma para si a espada e escudo da família para a qualquer custo resgatar Zelda. Com bravura e determinação, Link liberta a princesa pela surdina e a leva para um Santuário através dos esgotos do castelo, onde lá são recepcionados por um velho sábio que conta um pouco mais sobre o perigo maior que ainda estava por vir...
A Triforce e a Guerra do Aprisionamento
Coragem, força e sabedoria são os três elementos que regem a Triforce, o próprio poder dos deuses na terra. Era bastante procurada pelos mortais, pois garantiria o desejo daquele que o tocasse. Muitas construções sagradas dos Hylians (raça élfica) falavam de sua existência, no entanto, ninguém nunca antes a viu. Até quando quase que por acidente, durante uma guerra, um portal surge levando uma gangue de ladrões para outro mundo paralelo a Hyrule, a sagrada Golden Land!
Os ladrões avistaram então um artefato triangular brilhante e flutuante no ar e começaram a lutar entre si tendo certeza que aquela era a Triforce. Ganondorf Dragmire, um feiticeiro mais conhecido como Ganon, fora o mais destemido entre eles e a tocou com suas mãos sangrentas, transformando aquela terra sagrada em puro desespero e ganância, assim como o seu coração era. Ganon planejou então dominar os dois mundos e começou a montar o seu exército. Sua aura maligna foi sentida no outro mundo, então o rei de Hyrule convocou seus cavaleiros e os Sete Sábios que criaram um selo para aprisionar Ganon em seu mais novo mundo das Trevas.
Assim o feiticeiro foi aprisionado na que ficou conhecida como "Guerra do Aprisionamento". Além disso, visando lutar contra o próprio poder da Triforce que Ganon dominava, foi criada a Master Sword, única arma capaz de combater tal vilão, tão poderosa que podia repelir o próprio poder da Triforce. A partir daí essa guerra virou uma lenda e a paz voltou a reinar por muito tempo. Tempo esse até a chegada de Agahnim, um mago de grande influência que acabou usurpando o trono do rei, e a partir daí muitos acontecimentos estranhos foram aparecendo pelo reino. Seu plano maléfico era libertar Ganon do selo dos Sete Sábios através de seus descendentes, e em contra-partida disso, uma aventura sensacional se desenrola com o Link tentando impedí-lo!
A missão de Link é meio óbvia: encontrar a Master Sword e acabar com os planos de Agahnim antes que seja tarde demais, o que não será uma tarefa tão simples meus caros, pois nosso jovem guerreiro terá que correr (botões 'Direcional') por toda Hyrule que está cheia de monstros, calabouços e mistérios... A jogabilidade conta com uma perspectiva vista de cima com ângulo tradicional "três por quatro", adicionado um "side-scrolling" na hora de passar de um cenário para o outro, é assim que Link desbrava Hyrule.
Para ajudar na sua jornada, Link contará com vários equipamentos, e o primeiro deles é a sua espada (botão 'B') que dá cortes da lateral esquerda para o centro, ou um ataque giratório se o botão for segurado e solto logo após. O escudo também vem junto, mas seu controle é passivo e defende apenas alguns golpes se Link ficar parado (lembrando que ao atacar com a espada, o escudo se move para direita, abrindo a guarda frontal, e defendendo agora o lado).

Mais a frente no jogo você encontrará muitos itens (botão 'START' seleciona / botão 'Y' usa) que são equipamentos auxiliares - de ataque ou não - altamente necessários para resolver suas quests. Alguns desses itens são provenientes do jogo original, como é o caso da Lanterna, do Boomerang e do arco-e-flecha, já outros foram implementados a partir deste jogo, como por exemplo o Hookshot que ajuda Link a alcançar lugares distantes ou paralisar alguns inimigos; e como o Pegasus Boots (botão 'A') que faz Link correr diretamente para frente apontando sua espada, etc.
É claro que com todos esses itens você vai precisar de um direcionamento para não se perder, então não se esqueça de usar o mapa (botão 'X') para localizar os pontos que os NPCs marcam nele de sua próxima quest (detalhe: nem sempre aparece o próximo passo, aí você tem que se virar com seu inglês ou japonês, depende da versão).
Outra coisa, quando o Link perde todo o seu life não há muitas perdas, ele somente volta para o ultimo local visitado (ou início da caverna se estiver numa dungeon), mesmo assim não esqueça de salvar o progresso do seu jogo (botão 'SELECT) que pode ser feito a qualquer momento, saindo do jogo na mesma hora (o famoso "Quit and Save").
-Castelos e calabouços de vários níveis-
Como na primeira versão da série, o jogo conta com vários sub-cenários que dão acesso a novos mapas, cada um com vários níveis de profundidade (ou altura, dependendo da estrutura), sejam eles: calabouços, castelos, masmorras, pirâmides, etc. O importante é que todos eles são compostos de vários andares, forçando Link a subir e descer escadas, ou cair em buracos para acessar novos lugares (propositalmente ou não), tornando cada dungeon um verdadeiro quebra-cabeça labiríntico.
Em todas as dungeons são encontrados itens valiosos para desvendar os puzzles, mas dentre eles existem 5 mais importantes:
-O mapa - Mostra toda a dungeon e sua localização.
-A bússola/compasso - Mostra a localização exata do chefão e do 'grande baú' da dungeon.
-Big Key - Abre portas exclusivas e o 'grande baú' do calabouço.
-Item do grande baú - Sempre é um item muito importante que servirá para lhe salvar da dungeon ou de outros perigos de sua jornada.
-Item do chefe - São itens "dropados" pelos chefes que servem apenas como pré-requisito de quest.
A Link to the Past incrementou em Zelda um detalhe que viria a ser marca registrada da série e futuramente copiado para vários outros jogos: a viagem entre dois mundos paralelos. Um deles é o Light World, a Hyrule que Link cresceu ao lado de seu tio; O outro é o Dark World, a Golden Land modificada pelos desejos maléficos de Ganon ao tocar a Triforce, uma versão corrupta de Hyrule.
Os dois mundos são praticamente iguais geologicamente falando, as diferenças são basicamente do Dark World, onde as águas são mais escuras, as gramas secas, as pedras perdem espaço para caveiras, as árvores tem rostos, etc. Cada parte do "mundo das trevas" correspondem a outra no "mundo da luz", com algumas pequenas mudanças físicas e naturais (o deserto de Hyrule é um pântano no Dark World, por exemplo, só que com a mesma estrutura física).
A viagem de um para o outro, que é feita através de portais escondidos ou item mágico (espelho), é extremamente necessária, tanto para se resolver quests quanto para se pegar itens secretos.
Ação, Aventura e RPG, a fórmula de Zelda que deu certo!
A série Zelda sempre contou com o diferencial da mistura desses gêneros, e é com essa mecânica que o enredo de "Um Link para o Passado" se desenrola, assim como a primeira versão da saga. Não obstante disso, a imersão no mundo de Hyrule do modo como foi trabalhada através do uso de cada um desses elementos é feita com maestria. O jogo é bem agitado e tranquilo quando preciso, os controles são de fácil assimilação, seguido ainda de uma movimentação fluida e precisa. Vale lembrar também que o jogo é bastante difícil pra época (e até hoje é!).
A trilha sonora trabalhada por Koji Kondo guia o jogador em sua experiência imersiva, que também é um ponto essencial em jogos de longa duração, sendo considerada uma das trilhas mais memoráveis e clássicas dos jogos de todos os tempos. Os cenários também são coloridos harmoniosamente deixando o game com aquele visual retrô, simples e limpo característicos de jogos do SNES que todo mundo conhece!
Falando em longa duração, os elementos de RPG são simples, porém, cruciais, pois existem todas as mecânicas mais legais de um bom RPG, sem aqueles elementos chatos que estragam o seguimento do enredo e acabam com empolgação do jogador. No game seus equipamentos evoluem sem que você precise gastar tempo ganhando experiência pra isso, por exemplo (o único tempo gasto é matando bichos pra coletar Rupees, "moeda" do jogo, mas ainda sim é muito divertido); Todos os itens são bem aproveitados, sem que nenhum fique de escanteio (com exceção do Boomerang); Os diálogos com os NPCs são pequenos, porém, eficientes; etc.
Outros elementos de RPG que foram introduzidos neste jogo deixando-o mais atraente são os sistemas de Life e Mana. O primeiro porque agora existe o Heart Container, pequenas partes de coração que ao serem colecionados pelo menos quatro deles, viram um coração inteiro de vida, mas que não são obrigatórios no main game e muitas vezes acabam ficando para trás (ou escondidos) o que só aumenta o fator "Replay" do mesmo. O segundo porque a barra de Mana não existia no game original, e é usado para magia e objetos mágicos (obviamente) que são altamente necessários e divertidos de se usar.
Enfim, se você procura um jogo clássico para passar bastante tempo se divertindo e jogando (sem perceber que o está fazendo), leve Link para o Passado nessa emocionante aventura, pois esse game é certamente o que você procura - mesmo que já tenha jogado uma ou duas vezes na vida!
The Legend of Zelda: A Link to the Past
Produtora: Nintendo
Plataformas: Super NES (1991), GBA (2002) e "Wii" Virtual Console (2006).
Lançamento: Novembro de 1991.
Gênero: Ação / Adventure / RPG.
Jogadores: Um player.



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